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sexta-feira, julho 25, 2014

CRISTÓVAM BUARQUE







TRECHOS DO DISCURSO DO SENADOR CRISTÓVAM BUARQUE A PROPÓSITO DA DERROTA DA SELEÇÃO BRASILEIRA POR 7 A 1:


O Brasil é um país privilegiado. Nunca perdemos uma guerra. A Alemanha sofreu duas derrotas e rendições em um mesmo século, uma delas faz 100 anos agora, quando perdeu a Primeira Guerra Mundial.Os Estados Unidos tiveram o trauma de presidentes, se não me engano, quatro, assassinados.

Não tivemos o trauma da França, que foi um país invadido, ocupado durante quatro anos pelo exército alemão.Nossos traumas se resumem ao suicídio de um presidente e, por incrível que pareça, outro trauma, 64 anos atrás, em 1950, quando perdemos uma Copa do Mundo para o Uruguai, no último minuto.Agora, a sensação que nós temos de ontem para hoje é de um grande trauma nacional por causa da derrota da seleção de futebol diante da Alemanha por 7 a 1.

Mas jamais nos lembramos de que a Alemanha tem 102 Prêmios Nobel, nós não temos nenhum. Do ponto de vista do interesse nacional e das consequências para o futuro, o fato de estarmos perdendo de 102 a zero para a Alemanha, em prêmios nobel, é muito mais grave para o País.

Nós não nos traumatizamos no dia 14 de março de 2013, quando foi divulgado o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, que nos deixou em 85º lugar entre 106 países analisados, entre os quais os mais pobres do mundo, como o Haiti, os países africanos, alguns países da América. Entre todos esses 106, nós ficamos em 85º – quase lanterninha – e não nos traumatizamos.

E nos traumatizamos por sermos o quarto ou até o terceiro em futebol.Nós não nos traumatizamos no dia 3 de dezembro de 2013, quando foi divulgada a classificação do Brasil na educação, entre 65 países, ficamos em 58º. Uma avaliação que analisa 65 países, feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico da Europa, deixa-nos em 58º, e não houve nenhum trauma.

Nós não tivemos o menor trauma nem tristeza quando a maior empresas estatal do Brasil a “PETROBRÁS” caiu do 4° lugar entre as maiores empresas de petróleo do mundo para 128° em 2014.Nós não tivemos o menor constrangimento, o menor trauma, a menor tristeza, quando, no dia 1º de março de 2011, a Unesco divulgou a sua classificação da educação. Para 128 países ficamos em 88º. E quando a gente fala em 120 países, estamos incluindo aí os mais pobres do mundo.

Aquilo que o jogador David Luiz disse no final do jogo, transmitido pela televisão, ainda dentro do campo, onde ele, chorando, disse o seguinte: “Desculpa, por não ter feito vocês felizes nesta hora”. Você vê que grandeza, ele não disse que estava triste por não ser campeão, estava triste por não ter feito a nós, os brasileiros, felizes nessa hora.

E continua: “Eu só queria dar alegria para o meu povo que sofre tanto por tanta coisa”. Esse sentimento vindo dele confesso que me surpreendeu, quando ele lembra: “Queria dar uma alegria para esse povo que sofre tanto por tanta coisa”. “Queria pedir desculpa”, outra grandeza, “só queria fazer meu povo sorrir pelo menos no futebol”.

Quando vi o David Luiz pedindo desculpas, eu pensei: quem devia estar ali pedindo desculpas éramos nós os Senadores, os Deputados, os Ministros, os Governadores, a Presidente da República, porque somos nós que estamos em campo para fazer um Brasil melhor e não estamos conseguindo chegar nem ao quarto, nem ao décimo, nem ao vigésimo, nem ao quinquagésimo lugar.

Estamos chegando ao octogésimo oitavo no Índice de Desenvolvimento Humano. Estamos chegando ao quinquagésimo oitavo entre sessenta e cinco no índice da educação. Estamos chegando ao octogésimo oitavo entre cento e vinte em educação, pela Unesco. Nós não pedimos desculpas, mas o David Luiz pediu por ser quarto ou talvez até terceiro.

O mais importante para o futuro do País não é o campeonato de futebol, embora esse toque mais na alma da gente. O maior campeonato que estamos perdendo e que é a base de tudo neste País são as condições sociais, são as possibilidades de eficiência na economia, a educação e a segurança. Esses são os campeonatos que devem fazer com que nós brasileiros trabalhemos para superar.Quero agradecer ao David Luiz, quando ele dá esta lição para nós: “Eu só queria fazer meu povo sorrir, pelo menos no futebol”. Você não conseguiu, David Luiz, fazer o povo sorrir no futebol, mas você conseguiu despertar pelo menos uma pessoa......... Para o fato de que nós não estamos conseguindo fazer o povo sorrir pelas outras coisas, das quais eu sou um dos responsáveis ..... desculpa, David Luiz.


PAZ & BEM !!!




sábado, julho 12, 2014

TUMBA DE RAMSES







Nunca na história da Seleção Brasileira em Copas do Mundo se esperou tanto de um jogador,e este nada fez.
Foi bisonha a participação do badalado FRED. Beirou o ridículo!!
Sem dúvida uma das principais falhas do nosso treinador,que esperava que ele,uma hora,fosse acordar.
Mas isto não aconteceu.
TUMBA com ele !!!


PAZ & BEM !!!




quinta-feira, julho 10, 2014

quinta-feira, julho 03, 2014

TUMBA DE RAMSES







Decididamente o belzebu nove dedos deve ter fumado ou cheirado talco.
Não é possível que alguém consiga falar tantas asneiras em tão pouco tempo.
Está passando dos limites
TUMBA com o LULA !!!





Mais aqui .


PAZ & BEM !!!




terça-feira, julho 01, 2014

CETRO DE RAMSES







Depois do que jogou no tempo normal da partida contra o Chile,e defendendo os penaltis decisivos,o homenageado na semana só pode mesmo ser o goleiro JULIO CESAR !!!
É verdade que a competição ainda não acabou, e ele ainda não conseguiu "dar a volta por cima" que tanto quer,mas seu nome foi ovacionado no estádio e,merecidamente,foi o grande responsável pela passagem do Brasil às quartas de final.
CETRO pra ele!!!


PAZ & BEM !!!




terça-feira, junho 24, 2014

CETRO DE RAMSES







Apesar de ainda não mostrar tudo que pode,a seleção brasileira,sem dúvida,tem mostrado um NEYMAR muito afim de jogar ,e disposto mesmo a marcar território na maior competição de futebol do planeta.
Não fosse ele e,fatalmente,teríamos ainda mais dificuldades que as que apareceram.
E olha que ele anda segurando a bola demais...
CETRO pra ele !!!


PAZ & BEM !!!




sexta-feira, junho 20, 2014

TUMBA DE RAMSES







E outra vez o nefasto LULA tratou de "dividir o país" ,ao acusar a "elite branca paulista" pelas manifestações contra a presidente na abertura da Copa do mundo.
Ele não perde a oportunidade e,sempre que pode,faz o que é determinado pela cartilha: é sempre nós e eles.
Até quando?
TUMBA com ele !!!


PAZ & BEM !!!




quinta-feira, junho 12, 2014

VAI TER COPA SIM







Fui um dos muitos que torceu contra a realização da Copa.
Até pensei que,depois das manifestações do ano passado,as coisas se tornassem insustentáveis e a realização do Mundial ficasse em risco.
Mas os estádios ficaram prontos. Dinheiro público foi usado a torto e a direito.Roubaram até perder de vista.
O resto ficou na promessa,e não conseguiram mais roubar sabe lá Deus porquê.

Só espero que as ameaças espalhadas não se concretizem,que a competição aconteça em paz,e que os turistas possam aproveitar o melhor do nosso país e que voltem em paz pra casa.



PAZ & BEM !!!




quinta-feira, maio 29, 2014

TUMBA DE RAMSES







Concordo que ninguém esteja sempre certo,e que não possa mudar de opinião,reconhecendo que errou,ou mesmo se reposicionando.
Também concordo que,às vezes,só convivendo com algo,ou alguém,é que a gente possa ter uma opinião melhor.
Mas a súbita mudança de comportamento do RONALDO FENÔMENO com relação aos preparativos da Copa do Mundo causaou muita estranheza.
Membro do Comitê Organizador da Copa,ele já tinha falado bobagens quando defendeu a realização da Copa,em prejuízo às nossas carências de hospitais país afora.
Agora,amigo de um candidato da oposição,lascou o verbo nos atrasos das obras ,e falou em "passar vergonha"!!!
Mudança repentina.
Mudança brusca!!!
Por que será?
TUMBA com ele !!!


PAZ & BEM !!!




sábado, maio 10, 2014

quarta-feira, abril 23, 2014

A COPA JÁ ERA







Autor: JORGE LUIZ SOUTO MAIOR*





O presente texto tem o propósito de apresentar onze argumentos, do goleiro ao ponta-esquerda, para demonstrar que a Copa já era! Ou seja, que já não terá nenhum valor para a sociedade brasileira e, em especial para a classe trabalhadora, restando-nos ser diligentes para que os danos gerados não se arrastem para o período posterior à Copa.

1. A perda do sentido humano



O debate entre os que defendem a causa “não vai ter copa” e os que afirmam “vai ter copa” está superado. Afinal, haja o que houver, o evento não vai acontecer, ao menos no sentido originariamente imaginado, como instrumento apto a gerar lucros e dividendos políticos “limpinhos”, como se costuma dizer, pois não é mais possível apagar os efeitos deletérios que a Copa já produziu para a classe trabalhadora brasileira. É certo, por exemplo, que para José Afonso de Oliveira Rodrigues, Raimundo Nonato Lima Costa, Fábio Luiz Pereira, Ronaldo Oliveira dos Santos, Marcleudo de Melo Ferreira, José Antônio do Nascimento, Antônio José Pitta Martins e Fabio Hamilton da Cruz, mortos nas obras dos estádios, já não vai ter Copa!

Aliás, a Copa já não tem o menor valor para mais de 8.350 famílias que foram removidas de suas casas no Rio de Janeiro, em procedimento que, como adverte o jornalista Juca Kfouri, no documentário, A Caminho da Copa, de Carolina Caffé e Florence Rodrigues, “lembram práticas nazistas de casas que são marcadas num dia para serem demolidas no dia seguinte, gente passando com tratores por cima das casas”. Essas práticas, segundo relatos dos moradores, expressos no mesmo documentário, incluíram invasões nas residências, para medir, pichar e tirar fotos, estabelecendo uma lógica de pressão a fim de que moradores assinassem laudos que atestavam que a casa estava em área de risco, sob o argumento de que na ausência de assinatura nada receberiam de indenização, o que foi completado com o uso da Polícia para reprimir, com extrema violência, os atos de resistência legítima organizados pelos moradores, colimando com demolições que se realizaram, inclusive, com pessoas ainda dentro das casas. As imagens do documentário mencionado são de fazer chorar e de causar indignação, revolta e repúdio, como o são também as imagens da violência utilizada para a desocupação de imóvel da VIVO na zona norte do Rio de Janeiro, ocorrida no dia 11 de abril de 2014, onde se encontravam 5.000 pessoas. Lembre-se que as remoções para a Copa ocorreram também em Cuiabá, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Manaus, São Paulo e Fortaleza, atingindo, segundo os Comitês Populares da Copa, cerca de 170 mil famílias em todo o Brasil.

A Copa já não tem sentido para o Brasil, como nação, visto que embora sejam gastos cerca de R$ 30 bilhões para o montante total das obras, sendo 85% vindos dos cofres públicos, a forma como se organizou – ou não se organizou – a Copa acabou abalando a própria imagem do Brasil. Ou seja, mesmo se pensarmos o evento do ponto de vista econômico e ainda que, imediatamente, se possa chegar a algum resultado financeiro positivo, considerando o que se gastou e o dinheiro que venha a ser atraído para o mercado nacional, é fácil projetar um balanço negativo em razão da quebra de confiabilidade.

Se o Brasil queria se mostrar, como de fato não é, para mais de 2 bilhões de telespectadores, pode estar certo de que a estratégia já não deu certo.

A propósito, a própria FIFA, a quem se concederam benefícios inéditos na história das Copas, tem difundido pelo mundo uma imagem extremamente negativa do Brasil, que até sequer corresponde à nossa realidade, pois faz parecer que o Brasil é uma terra de gente preguiçosa e descomprometida, quando se sabe que o Brasil, de fato, é um país composto por uma classe trabalhadora extremamente sofrida e dedicada e onde se produz uma inteligência extremamente relevante em todos os campos do conhecimento, mas que, enfim, serve para demonstrar que maquiar os nossos problemas sociais e econômicos não terá sido uma boa estratégia.



2. Ausência de beneficio econômico



Mesmo que entre perdas e ganhos o saldo econômico seja positivo, há de se indagar qual o preço pago pela população brasileira, vez que restará a esta conviver por muitos anos com o verdadeiro legado da Copa: alguns estádios fantasmas e obras inacabadas, nos próprios estádios e em aeroportos e avenidas, além da indignação de saber que os grandes estádios e as obras em aeroportos custaram milhões aos cofres públicos, mas que, de fato, pouca serventia terão para a maior parte da classe operária, que raramente viaja de avião e que tem sido afastada das partidas de futebol, em razão do processo notório de elitização incrementado neste esporte.

Oportuno frisar que o dinheiro público utilizado origina-se da riqueza produzida pela classe trabalhadora, vez que toda riqueza provém do trabalho e ainda que se diga que não houve uma transferência do dinheiro público para o implemento de uma atividade privada, vez que tudo está na base de empréstimos, não se pode deixar de reconhecer que foram empréstimos com prazos e juros bastante generosos, baseados na previsibilidade de ganhos paralelos com o evento, ganhos que, no entanto, já se demonstram bastante questionáveis.

No caso do estádio Mané Garrincha, em Brasília, por exemplo, com custo final estimado em R$1,9 bilhões, levando-se em consideração o resultado operacional com jogos e eventos obtidos em um ano após a conclusão da obra, qual seja, R$1.137 milhões, serão precisos 1.167 anos para recuperar o que se gastou, o que é um absurdo do tamanho do estádio, ainda que o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o secretário executivo da pasta, Luis Fernandes, tenham considerado o resultado, respectivamente, “um êxito” e “um exemplo contra o derrotismo”.

O problema aumenta, gerando indignação, quando se lembra que não se tem visto historicamente no Brasil – desde sempre – a mesma disposição de investir dinheiro público em valores ligados aos direitos sociais, tais como educação pública, saúde pública, moradias, creches e transporte.

O que se sabe com certeza é que a FIFA, que não precisa se preocupar com nenhum efeito social e econômico correlato da Copa, obterá um enorme lucro com o evento. “Uma projeção feita pela BDO, empresa de auditoria e consultoria especializada em análises econômicas, financeiras e mercadológicas, aponta que a Copa do Mundo de 2014 no Brasil vai render para a Fifa a maior arrecadação de sua história: nada menos do que US$ 5 bilhões entrarão nos cofres da entidade (cerca de R$ 10 bilhões).”



3. O prejuízo para o governo



O governo brasileiro, que tenta administrar todos os prejuízos do evento, vê-se obrigado, pelo compromisso assumido por ocasião da candidatura, a conferir para a FIFA garantias, que ferem a Constituição Federal e que, por consequência, estabelecem um autêntico Estado de exceção, para que o lucro almejado pela FIFA não corra risco de diminuição, entregando-lhe, além dos estádios, que a FIFA utilizará gratuitamente:

a) a criação de um “local oficial de competição”, que abrange o perímetro de 2 km em volta do estádio, no qual será reservada à FIFA e seus parceiros, a comercialização exclusiva, com proibição do livre comércio, inclusive de estabelecimentos já existentes no tal, caso seu comércio se relacione de alguma forma ao evento;

b) a institucionalização do trabalho voluntário, para serviços ligados a atividade econômica (estima-se que cerca de 33 mil pessoas terão seu trabalho explorado gratuitamente, sem as condições determinadas por lei, durante o período da Copa no Brasil);

c) o permissivo, conferido pela Recomendação n. 3/2013, do CNJ, da exploração do trabalho infantil, em atividades ligadas aos jogos, incluindo a de gandula, o que foi proibido, ainda que com bastante atraso, em torneios organizados pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), desde 2004, seguindo a previsão constitucional e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA);

d) a liberdade de atuar no mercado, sem qualquer intervenção do Estado, podendo a FIFA fixar o preço dos ingressos como bem lhe aprouver (art. 25, Lei Geral da Copa);

e) a eliminação do direito à meia-entrada, pois a Lei Geral da Copa permitiu à FIFA escalonar preços em 4 categorias, que serão diferenciadas, por certo, em razão do local no estádio, sendo fixada a obrigatoriedade de que se tenha na categoria 4, a mais barata (não necessariamente com preço 50% menor que a mais cara), apenas 300 mil ingressos, sem quórum mínimo para cada jogo, e apenas dentre estes é que se garantiu a meia entrada para estudantes, pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos; e participantes de programa federal de transferência de renda, que, assim, foram colocados em concorrência pelos referidos ingressos;

f) o afastamento da aplicação do Código de Defesa do Consumidor, deixando-se os critérios para cancelamento, devolução e reembolso de ingressos, assim como para alocação, realocação, marcação, remarcação e cancelamento de assentos nos locais dos Eventos à definição exclusiva da FIFA, a qual poderá inclusive dispor sobre a possibilidade: de modificar datas, horários ou locais dos eventos, desde que seja concedido o direito ao reembolso do valor do ingresso ou o direito de comparecer ao evento remarcado; da venda de ingresso de forma avulsa, da venda em conjunto com pacotes turísticos ou de hospitalidade; e de estabelecimento de cláusula penal no caso de desistência da aquisição do ingresso após a confirmação de que o pedido de ingresso foi aceito ou após o pagamento do valor do ingresso, independentemente da forma ou do local da submissão do pedido ou da aquisição do Ingresso (art. 27).



4. O prejuízo para a cidadania



Para garantir mesmo que o lucro da FIFA não seja abalado, o Estado já anunciou que o evento terá o maior efetivo de policiais da história das Copas, com gasto estimado de 2 bilhões de reais, mobilizando, inclusive, as Forças Armadas, tudo isso não precisamente para proteger o cidadão contra atos de violência urbana, mas para impedir que o cidadão, vítima da violência da Copa, possa se insurgir, democraticamente, contra a sua realização.

A respeito das manifestações, vale frisar, é completamente impróprio o argumento de que como nada se falou antes, agora é tarde para os cidadãos se insurgirem. Primeiro, porque quando o compromisso foi firmado ninguém foi consultado quanto ao seu conteúdo. E, segundo, porque nenhum silêncio do povo pode ser utilizado como fundamento para justificar o abalo das instituições do Estado de Direito, vez que assim toda tirania, baseada na força e no medo, estaria legitimada. O argumento, portanto, é insustentável e muito grave, sobretudo no ano em que a sociedade brasileira se vê diante do desafio de saber toda a verdade sobre o golpe de 1964 e os 21 anos da ditatura civil-militar.

Deve-se acrescentar, com bastante relevo, que o evento festivo, composto por alguns jogos de futebol, está sendo organizado de modo a abranger toda a sociedade brasileira, impondo-lhe os mais variados sacrifícios, pois impõe uma intensa alteração da própria rotina social, atingindo a pessoas que nenhuma relação possuem com o evento ou mesmo que tenham aversão a ele. O próprio calendário escolar foi alterado, para que não houvesse mais aulas durante a Copa, buscando, de fato, melhorar artificialmente o trânsito e facilitar o acesso aos locais dos jogos. A educação, que é preceito fundamental, que se arranje, pois, afinal, é ano da Copa! Algumas cidades, para melhor atingir esse objetivo da facilitar a circulação, mascarando os problemas do transporte, pensam, seriamente, em decretar feriados nos dias de jogo da seleção brasileira, interferindo, também, na lógica produtiva nacional.

Nos serviços públicos já se anunciaram alterações nos horários de funcionamento, de modo a não permitir coincidência com os dias de jogos do Brasil, sendo que em alguns Tribunais do Trabalho (Mato Grosso – em Cuiabá e nas cidades do interior; Rio Grande do Sul e São Paulo, com diferenças de intensidade e de datas); o funcionamento foi suspenso, gerando adiamento das audiências… Ou seja, o trabalhador, que esperou meses para ser atendido pela Justiça, verá sua audiência adiada para daqui a alguns novos meses, pois, afinal, era dia de jogo da Copa!

Somados todos esses fatores, é fácil entender que a Copa já perdeu todo o sentido para a nação brasileira. Não por outra razão, aliás, é que a aprovação para a realização da Copa no Brasil, em novembro de 2008, que era de 79% caiu, em abril de 2014, para 48%, e os que eram contrários subiram, no mesmo período, de 10% para 41%, sendo que mais da metade dos brasileiros considera que os prejuízos serão maiores que os ganhos.



5. O prejuízo para a razão



Numa leitura otimista, o diretor-geral do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo Fifa 2014, que se chama, por coincidência reveladora, Ricardo Trade (comércio, em inglês), prefere dar destaque ao fato de que 48% são a favor e apenas 41% são contra, avaliando, então, que o copo está meio cheio. Só não consegue ver que o copo está esvaziando e que, de fato, nos trens e ônibus, que transportam os trabalhadores, só se fala da Copa para expressar indignação com relação às condições do transporte, da saúde, das escolas, e da falta de creches. Sintomático, aliás, o fato de que as periferias das grandes cidades não estão pintadas para a “festa” do futebol, como estavam nas Copas anteriores e isso porque, com a Copa sendo realizada aqui, é possível ver as disparidades e perceber com maior facilidade como a retórica do legado não atinge, concretamente, a vida da classe trabalhadora.

Os tais empregos gerados são precários e inseridos, sobretudo nas obras de estádios, aeroportos e vias públicas, na lógica perversa da terceirização, sendo que muitos trabalhadores ainda serão explorados sem qualquer remuneração no mal denominado trabalho “voluntário”, referido com orgulho pelo “Senhor Comércio”.

Fato é que não será mais possível assistir a um jogo da Copa, no estádio, pela TV ou nos circos armados do “Fan Fest” e se emocionar com uma jogada ou um gol, sem lembrar do preço pago: assalto à soberania; Estado de exceção; gastos públicos; abalo da confiabilidade em razão da desorganização; violências dos despejos, dos acidentes de trabalho e da repressão policial…

Sobre o Fan Fest, ademais, é oportuno esclarecer que se trata de um “evento oficial” da Copa da FIFA, que deve ser organizado e custeado pelas cidades sedes de jogos, para que os excluídos dos estádios possam assistir aos jogos por um telão, com o acompanhamento de shows. Esse evento, organizado e pago pelo Estado (que se fará em São Paulo mediante pareceria com o setor privado, conforme Comunicado de Chamamento Público n. 01/2014/SMSP, que estabeleceu o prazo de uma semana para o oferecimento de ofertas), realizado em espaço público, atende aos interesses privados da FIFA e suas parceiras. No caso da cidade de São Paulo, por exemplo, o Decreto n. 55.010, de 9 de abril de 2014, assinado pela vice-prefeita em exercício, Nádia Campeão (em nova coincidência reveladora), que regulou o evento, transforma a área pública do Fan Fest em uma área privada, reservada, como dito no Decreto, aos fãs da Copa. Nos termos expressos no Decreto: “FAN FEST: área do Vale do Anhangabaú indicada pela cidade-sede e reconhecida pela FIFA como área de lazer exclusiva aos fãs da Copa do Mundo FIFA 2014” (inciso VIII, do art. 2º.) – grifou-se.

O mesmo Decreto fixa esse local, o do Fan Fest, como área de “restrição comercial”, que são “áreas definidas pelo Poder Público Municipal com perímetros restritos no entorno de locais oficiais específicos de competição, nas quais, respeitadas as normas legais existentes, fica assegurada a exclusividade prevista no artigo 11 da Lei Federal nº 12.663, de 2012, à FIFA ou a quem ela autorizar” (inciso XIII, do art. 2º.), valendo reparar que o Decreto, artificialmente, amplia, em muito, a extensão geográfica do Vale do Anhangabaú: “FAN FEST: a partir do Largo da Memória, Rua Formosa, Viaduto do Chá, Praça Ramos de Azevedo, Rua Conselheiro Crispiniano, Rua Capitão Salomão, Praça Pedro Lessa, Largo São Bento, Rua Florêncio de Abreu, Rua Boa Vista, Rua Líbero Badaró, Praça do Patriarca, alça de retorno da Av. 23 de Maio do sentido Bairro/Centro para o sentido Centro/Bairro, Av. 23 de Maio, entre o Largo da Memória e o Viaduto do Chá, conforme Anexo II deste decreto” (inciso II, do art. 3º.), atingindo até mesmo o espaço aéreo: “Os espaços aéreos correspondentes aos perímetros descritos nos incisos I e II do “caput” deste artigo também se constituem em áreas de restrição comercial” (parágrafo único do art. 3º.).

É importante saber que ao se impedir a comercialização na área reservada a Prefeitura de São Paulo acabou interrompendo um processo de negociação, iniciado em maio de 2012, com os ambulantes que atuavam na cidade e, em especial, na região central, onde se situa o Vale do Anhangabaú, e cuja licença havia sido cassada no contexto de uma política de endurecimento muito forte quanto à fiscalização de sua atuação, que fora intensificada, exatamente, a partir de 2011, quando houve a assinatura do termo de compromisso, anunciando São Paulo como uma das cidades sedes da Copa. Em 2012, acabaram sendo canceladas todas as 5.137 licenças dos ambulantes e até hoje, mesmo após instaurado, desde 2012, um grupo de trabalho tripartite – trabalhadores, sociedade civil e prefeitura (Fórum dos Ambulantes), para a discussão do problema, nada se resolveu e, em concreto, ao editar o Chamamento Público acima citado, a Prefeitura acabou dificultando sobremaneira a pretensão dos ambulantes de terem alguma atuação comercial durante a Copa. É a Copa, na verdade, fechando postos de trabalho!



6. De novo o dinheiro



Há de se considerar que todos esses efeitos já foram produzidos e continuarão repercutindo na vida real para além da Copa, ainda que o saldo econômico desta venha a ser positivo.

E se o tema é dinheiro, há de se indagar: dinheiro para quem, cara pálida? É evidente que o benefício econômico não ficará para a classe trabalhadora e sim para quem explora o trabalho ou se vale da lógica de reprodução do capital. Para o trabalhador, o dinheiro que se direciona é o fruto do trabalho realizado, que, de fato, na lógica do modelo de sociedade capitalista, não representa, jamais, o equivalente necessário para restituir à classe trabalhadora como um todo o valor do trabalho empregado no serviço ou na obra. A lógica econômica da Copa não é outra coisa senão a intensificação do processo de acumulação de riqueza por meio da exploração do trabalho alheio, sendo que se considerarmos a utilização do denominado “trabalho voluntário”, que se realizará sem qualquer custo remuneratório, a acumulação que se autoriza é ainda maior.

O tal efeito benefício econômico, a que tanto se alude, portanto, não será, obviamente, revertido à classe trabalhadora. Esta, inclusive, será enormemente prejudicada, na medida em que o dinheiro público utilizado para financiar a atividade lucrativa de índole privada foi extraído da tributação realizada sobre a riqueza produzida pelo trabalho e que, assim, deveria ser, prioritariamente, revertida ao conjunto da classe trabalhadora para a satisfação das necessidades essenciais garantidas por preceitos constitucionais: escolas, hospitais, previdência e assistência social, creches e transporte, por exemplo. É completamente ilógico dizer, como disse o diretor-geral do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo Fifa 2014, no texto mencionado, que se está usando o dinheiro público para incentivar uma produção privada com o objetivo de, ao final, tributar essa produção e devolver o dinheiro aos cofres públicos.

O argumento seria apenas ilógico não fosse, também, digamos assim, carregado de alguns equívocos, o que o torna, portanto, muito mais grave. Ora, como adverte Maurício Alvarez da Silva, pelos termos da Lei Geral da Copa, Lei n. 12.350/10, “foi concedida à Fifa e sua subsidiária no Brasil, em relação aos fatos geradores decorrentes das atividades próprias e diretamente vinculadas à organização ou realização dos Eventos, isenção de praticamente todos os tributos federais” ..

Além disso, em 17 de maio de 2013, o governo federal publicou no “Diário Oficial da União decreto que concede isenção de tributos federais nas importações destinadas à Copa das Confederações neste ano e à Copa do Mundo de 2014. Entre os produtos incluídos na isenção estão alimentos, suprimentos médicos, combustível, materiais de escritório, troféus. O benefício abrange Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na importação, Imposto de Importação, PIS/Pasep-Importação, Cofins-Importação, Taxa de utilização do Siscomex, Taxa de utilização do Mercante, Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante e Cide-combustíveis”.

Em concreto, continuarão sendo tributados apenas as empresas nacionais, que não estejam integradas ao rol das apaziguadas da FIFA, sofrendo, ainda, com a isenção concedida às importadoras, os trabalhadores e os consumidores, sendo que o valor circulado nesta seara é ínfimo se considerarmos aquele, sem tributação, destinado à FIFA e suas parceiras e às importadoras.



7. De novo os ataques aos trabalhadores



Quando os trabalhadores, saindo da invisibilidade, se apresentam no cenário político e econômico e se expressam no sentido de que planejam uma organização coletiva para tentarem diminuir o prejuízo, buscando, por meio de reivindicações grevistas, atrair para si uma parte maior do capital posto em circulação em função da Copa, logo algum economista de plantão vem a público com a ameaça de que tais ganhos podem resultar em demissões futuras.

Mas, essa possibilidade aventada pelos trabalhadores de se fazerem ouvir na Copa, que pode, em concreto, minimizar o prejuízo dos trabalhadores, no processo de acumulação, e do país, na evasão de riquezas, acabou provocando uma reação institucional imediata, afinal o compromisso assumido pelo Estado brasileiro foi o de permitir que a FIFA obtivesse o seu maior lucro da história. Então, a Justiça do Trabalho se adiantou e divulgou que vai estabelecer um sistema de plantão para julgar, com a máxima celeridade (de um dia para o outro), as greves que ocorram durante a Copa, com o pressuposto já anunciado de que “as greves têm custo para os trabalhadores, empregadores e população”, sendo certo que a Copa não pode ser usada para “expor o país a uma humilhação internacional, como no Carnaval, quando houve greve de garis”.

Pouco importa o quanto a Justiça do Trabalho, historicamente, demora para dar respostas aos direitos dos trabalhadores, no que se refere às diversas formas de violências de que são vítimas em razão das práticas de algumas empresas no que tange à falta de registro, ao não pagamento de verbas rescisórias, ao não pagamento de horas extras, ao não pagamento de indenizações por acidentes do trabalho etc. Mesmo que já tendo melhorado sobremaneira na defesa dos interesses dos trabalhadores, transmite ainda a ideia central de que o que importa é ser célere quando isso interessa ao modelo econômico, que se vale da exploração do trabalho para reproduzir o capital.

A iniciativa repressiva da Justiça, ademais, foi aplaudia, rapidamente, por editorial do jornal Folha de S. Paulo, o qual, inclusive, em declaração, no mínimo, infeliz, chamou os trabalhadores de oportunistas: É uma iniciativa elogiável para evitar o excesso de oportunismo sindical, que não hesita em prejudicar o público e ameaçar o principal evento do ano no país.

Ou seja, todo mundo pode ganhar, menos os trabalhadores. Parodiando a máxima penal, é como se lhes fosse dito: “tudo que vocês ganharem pode ser utilizado contra vocês mesmos…”

Como foram as condições de trabalho nas obras? Quantos trabalhadores não receberam ainda os seus direitos por serviços que prestaram para a realização da Copa? Segundo preconizado pelo viés dessa preocupação, nada disso vem ao caso… Na visão dos que só veem imperativo obrigacional de realizar a Copa, como questão de honra, custe o que custar, o que importa é que o “público” receba o proveito dos serviços dos trabalhadores e se estes não ganham salário digno ou se trabalham em condições indignas não há como trazer à tona, para não impedir a realização do evento e para não abalar a imagem no Brasil lá fora.

Mas, concretamente, que situação pode constranger mais a figura do Brasil no exterior? O Brasil que faz greves? Ou o Brasil em que os trabalhadores são submetidos a condições subumanas de trabalho e que não permite que esses mesmos trabalhadores, em geral invisíveis aos olhos das instituições brasileiras, se insurjam contra essa situação, tendo que aproveitar o momento de um grande evento para, enfim, ganhar visibilidade, inclusive, internacional?

Na verdade, a humilhação internacional, a qual não se quer submeter o Brasil, é a de que o mundo saiba como o capitalismo aqui se desenvolve, ainda marcado pelos resquícios culturais de quase 400 anos de escravidão e sem sequer os limites concretos da eficácia dos Direitos Humanos e dos direitos sociais, promovendo, em concreto, uma das sociedades mais injustas da terra.



8. O perverso legado das condições de trabalho na Copa



Do ponto de vista da realidade, é preciso consignar que a pressa na execução das obras ainda tem aumentado a espoliação da classe trabalhadora com elevação das jornadas de trabalho, cuja retribuição, ainda que paga, nunca é suficiente para atingir o nível da equivalência, ainda mais quando são implementadas fórmulas jurídicas fugidias do efetivo pagamento (banco de horas, compensações etc.). O trabalho em jornadas extraordinárias, ademais, gera um desgaste físico e mental do trabalhador que não é computado e não se compensa por pagamento.

Além dos acidentes do trabalho citados inicialmente, portanto, é importante adicionar ao legado da Copa para a classe trabalhadora as más condições de trabalho, caracterizadas pela elevação das jornadas de trabalho, pelo aumento do ritmo do trabalho e da pressão pela celeridade.

O relato de alguns fatos, extraídos do noticiário jornalístico, auxilia na visualização desse contexto de supressão de direitos dos trabalhadores no período de preparação para a Copa.

Em setembro de 2013, 111 migrantes, vindos do Maranhão, Sergipe, Bahia e Pernambuco foram encontrados em condições análogas à de escravos na obra de ampliação do aeroporto de Guarulhos/SP, o mais movimentado da América Latina, sob a responsabilidade da empresa OAS, que além de ser uma das maiores construtoras do Brasil, é também a terceira empresa que mais faz doações a candidatos de cargos políticos, segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo, sendo uma das quatro empresas que formam o consórcio Invepar que, junto com a Airports Company South Africa, detêm 51% da sociedade com a Infraero para a administração do Aeroporto Internacional de Guarulhos através da GRU Airport e que para as obras de ampliação do aeroporto, onde foi flagrado trabalho escravo, obteve do BNDES um empréstimo-ponte de R$1,2 bilhões.

E a OAS, evidentemente, declarou que “vem apurando e tomando todas as providências necessárias para atender às solicitações” do Ministério do Trabalho e Emprego, negando que as vítimas fossem suas empregadas ou que tivesse tido qualquer “participação no incidente relatado” ..

Até abril de 2012, conforme reportagem de Vinícius Segalla, oito dos doze estádios da Copa já haviam enfrentado greves, atingindo 92 dias de paralisação, sendo o recorde do Maracanã, no Rio de Janeiro, com 24 dias. As reivindicações foram variadas, indo desde questões ligadas à remuneração até o desrespeito de direitos como pagamento de horas extras e fornecimento de planos de saúde. Segundo a reportagem, “Em uma das quatro paralisações já ocorridas em Pernambuco, no início de novembro do ano passado, o motivo foi a forma como a Odebrecht lidou com as reivindicações dos trabalhadores. É que a empreiteira demitiu dois funcionários da arena que eram membros da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) porque eles teriam incitado os trabalhadores a fazer greve. A demissão dos operários, junto com denúncias de assédio moral supostamente praticados pelo responsável pela segurança do canteiro, levou os funcionários a decretar greve.”

Também nos termos da reportagem, “a empresa explicou ao UOL Esporte que ‘Os dois empregados membros da Cipa foram demitidos por justa causa, por cometimento de flagrante ato de indisciplina, quando, no último dia 31 de outubro, instigaram os colegas a paralisarem a obra da Arena da Copa, sem nenhuma razão plausível’.” Embora, depois, por meio de nota tenha dito que as dispensas se deram sem justa causa.

A situação, revela a mesma reportagem, foi também bastante séria na greve do Maracanã, em setembro de 2011, cuja motivação, segundo Nilson Duarte, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sitraicp), teria sido o fato de que “foram servidos aos cerca de 2.000 trabalhadores da obra macarrão e feijão estragados, salada com bichos e leite fora da validade”, o que fora negado pelo Consórcio Maracanã (Odebrecht, Delta e Andrade Gutierrez), por meio de nota. O local já havia sido alvo de uma greve, um mês antes, agosto de 2011, por causa de uma explosão no canteiro que feriu um trabalhador.

Relata-se, ainda, que em Manaus (AM), na Arena Amazônia, houve paralisação de um dia, em 22 de março de 2012, porque conta do valor da cesta básica que estava sendo paga aos operários, R$ 37, enquanto que “de acordo com pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos ), o valor da cesta básica, composta por 12 produtos, fechou o mês de março a um custo R$ 251,38 na capital amazonense”, tendo a greve se encerrado com o aumento da cesta para R$ 60, acompanhado da promessa da empresa de que iria “voltar a pagar hora extra aos sábados, o que parara de fazer três meses antes”.

Na arena de Pernambuco, no início de 2012, foi promovida a dispensa coletiva de 560 empregados, conforme destacado em reportagem de Paulo Henrique Tavares, que vale a pena reproduzir:

A sexta-feira marcou a volta aos trabalhos dos operários responsáveis pela construção da Arena Pernambuco, na cidade de São Lourenço da Mata. E como “boas-vindas”, 560 trabalhadores acabaram recebendo o comunicado de demissão. A expectativa da comissão organizadora da recente greve, que paralisou as obras do estádio por oito dias, é de que outros mil funcionários peçam a carta de dispensa até o fim da tarde.

Por considerar “abusiva e ilegal”, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PE) exigiu, na quinta-feira, a volta aos trabalhos dos grevistas, com penalidade de R$ 5 mil, por dia, ao sindicato da categoria, o Sintepav, em caso de descumprimento. Apesar da obrigatoriedade, a ideia dos remanescentes nas obras da Arena Pernambuco é praticar – como os próprios denominam – uma “operação tartaruga”.

“Eu vim preparado para ser demitido. Como não fui, a maneira que encontrei para ajudar meus companheiros é trabalhar de maneira lenta. Cada prego desta Arena irá demorar pelo menos um dia, para ser colocado”, disse um trabalhador, que preferiu não ser identificado. “Eu não tenho prazo para terminar a obra. Quem tem prazo é o governo.”

Antes das demissões, as obras para a Arena da Copa contavam com 2.437 trabalhadores. Já contando com as saídas desta sexta-feira, cerca de 250 novos operários se apresentaram para o trabalho, em São Lourenço da Mata. “Pelo número de polícias que estão aqui na obra hoje, acredito que eles e o governador Eduardo Campo devem colocar a mão na massa para levantar o estádio até a Copa do Mundo”, falou, em tom irônico, um dos novos desempregados.

Entre as reivindicações, os trabalhadores exigiam aumento de benefícios, como cesta básica de R$ 80 para R$ 120, maior participação nos lucros e resultados (PLR), Plano de Saúde para os profissionais e ajudantes, além de abono dos dias parados e estabilidade de um ano para a comissão dos trabalhadores.

A questão pertinente às condições de trabalho chegou a tal extrema que, na Arena do Grêmio (que não está integrada aos jogos da Copa, mas se alimenta da mesma lógica), em outubro de 2011, os próprios trabalhadores pediram sua demissão, como “forma de protesto pelas condições de trabalho impostas pela empreiteira. A maioria dos trabalhadores é do Maranhão e retornará ainda hoje para seu estado natal.”

No estádio do Itaquerão, os operários disseram, em janeiro de 2014, à reportagem do UOL que estavam recebem salário “por fora” (que impede a tributação e não se integra aos demais direitos dos trabalhadores), “para trabalhar mais do que o previsto pelo acordo e evitar que a inauguração do palco de abertura da Copa do Mundo atrase ainda mais”. Segundo consta da reportagem, “Um soldador que trabalha na obra contou à reportagem que espera receber um salário quatro vezes maior do que o normal neste mês devido às horas extras irregulares que está fazendo”.

Segundo a reportagem, o acordo em questão, firmado com o aval do Ministério do Trabalho e Emprego, em 19 de dezembro de 2013, foi o de que estaria autorizado o trabalho em até duas horas extras diariamente, sendo que, anteriormente, dizem os trabalhadores, havia jornadas de até 16 horas. E, presentemente, as horas além das duas extras permitidas, que já é, por si, grave afronta à Constituição, eram trabalhadas sem marcação em cartão de ponto. “Eles [os chefes] falam para a gente: ‘Não pode atrasar’. Ainda tem muita coisa pra fazer e às vezes é melhor mesmo você trabalhar umas horinhas a mais num dia para terminar uma tarefa e já começa num ponto mais a frente no dia seguinte”, disse à reportagem um ajudante de pedreiro, de 23 anos, que, assim como os outros trabalhadores que conversaram com o UOL Esporte, pediu para não ser identificado.

Nos termos da reportagem, “Além do medo de perder o salário adicional, os funcionários da construtora disseram que foram orientados a não dar entrevistas. ‘Teve uma palestra no fim do ano para falar pra gente tomar cuidado com a imprensa, pra não ficar falando qualquer coisa porque isso só atrapalha a gente’, declara o ajudante de pedreiro.”

Como revela notícia publicada no jornal Folha de S. Paulo, edição de 23/03/14 (p. D-4), foram flagrados pelos jornalistas trabalhadores executando suas tarefas sem as mínimas condições de segurança e de uma subsistência digna em obra do centro de treinamento da seleção da Alemanha no sul da Bahia (Santa Cruz Cabrália).



9. O atentado histórico à classe trabalhadora



A maior parte dos problemas vivenciados pelos trabalhadores nas obras da Copa está ligada à sua submissão ao processo de terceirização e de precarização das condições de trabalho, que acabaram sendo acatados, sem resistência institucional contundente, durante o período de preparação para a Copa, interrompendo o curso histórico que era, até então, de intensa luta pela melhoria das condições de trabalho no setor da construção civil, que é o recordista, vale destacar, em acidentes do trabalho. Essa luta, implementada pelo Ministério Público do Trabalho, tendo como ponto essencial o combate à terceirização, entendida como fator principal da precariedade que gera acidentes, já havia sido, inclusive, encampada pelo Governo Federal, em 2012, ao se integrar, em 27 de abril, ao Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho.

O fato é que o evento Copa, diante da necessidade de se acelerarem as obras, acabou por jogar por terra quase toda, senão toda, a racionalidade que já havia sido produzida a respeito do assunto pertinente ao combate à terceirização no setor da construção civil, chegando-se mesmo ao cúmulo do próprio Superintendente Regional do Trabalho e emprego de São Paulo, vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego, Luiz Antônio Medeiros, um ex-sindicalista, declarar, sobre as condições de trabalho no Itaquerão, que: “Se esse estádio não fosse da Copa, os auditores teriam feito um auto de infração por trabalho precário e paralisado a obra. Estamos fazendo de conta que não vemos algumas irregularidades” (entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em 03/04/14).

O período da preparação para a Copa, portanto, pode ser apontado como um atentado histórico à classe trabalhadora, que jamais será compensado pelo aludido “aumento de empregos”, até porque, como dito, tais empregos, no geral, se deram por formas precárias. Nas obras o que se viu e se vê – embora não seja visto pelo Ministério do Trabalho e Emprego – são processos de terceirização e quarteirização, sem uma oposição institucional, que, por conseqüência, produz o legado de grave retrocesso sobre o tema, que tende a se estender, perigosamente, para o período posterior à Copa.

Não se pode esquecer que quase todos os acidentes fatais acima mencionados, não por coincidência, atingiram trabalhadores terceirizados, e o Estado de exceção, acoplado ao silêncio institucional sobre as formas de exploração do trabalho (exceção feita a algumas iniciativas individualizadas de membros do Ministério Público do Trabalho) e acatado para garantir a Copa, acabaram servindo como uma luva a certas frações do setor econômico, que serão as únicas, repita-se, que verdadeiramente, se beneficiarão do evento, para desferir novo ataque aos trabalhadores, representado pela tentativa de fuga de responsabilidade da empresa responsável pela obra, transferindo-a à empresa contratada (terceirizada), que possui, como se sabe, quase sempre, irrisório suporte financeiro para arcar com os riscos econômicos envolvidos.

Sobre a morte de José Afonso de Oliveira Rodrigues, a construtora Andrade Gutierrez, responsável pela construção da arena em Manaus, defendeu-se, publicamente, dizendo que Martins trabalhava para a Martifer, empresa contratada para fazer as estruturas metálicas da fachada e da cobertura.

Quando da morte de Marcleudo de Melo Ferreira, também na obra da arena de Manaus, a Andrade Gutierrez repetiu a estratégia, expressando-se em nota:

É com pesar que a Construtora Andrade Gutierrez informa que por volta das 4h da manhã de hoje, 14/12/2013, o operário Marcleudo de Melo Ferreira, 22 anos, natural de Limoeiro do Norte – CE, funcionário de empresa subcontratada que presta serviços na montagem da cobertura da Arena da Amazônia, sofreu uma queda de uma altura de cerca de 35 metros, sendo socorrido e levado ao Pronto Socorro 28 de Agosto ainda com vida, onde não resistiu aos ferimentos e veio a falecer nesta manhã.

Reiteramos o compromisso assumido com a segurança de todos os funcionários e que uma investigação interna está sendo feita para apurar as causas do acidente. As medidas legais estão sendo tomadas em conjunto com os órgãos competentes.

Lamentamos profundamente o acidente ocorrido e estamos prestando total assistência à família do operário. Em respeito à memória do mesmo, os trabalhos deste sábado foram interrompidos. – grifou-se.

Igual postura foi adotada pela Odebrecht Infraestrutura, responsável pela obra do Itaquerão, no que tange às mortes de Fábio Luiz Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos. Eis a nota publicada:

A Odebrecht Infraestrutura e o Sport Club Corinthians Paulista lamentam informar que no início da tarde de hoje um acidente na obra da Arena Corinthians provocou o falecimento de dois trabalhadores – Fábio Luiz Pereira, 42, motorista/operador de Munck da empresa BHM, e Ronaldo Oliveira dos Santos, 44 anos, montador da empresa Conecta. Pouco antes das 13 horas, o guindaste, que içava o último módulo da estrutura da cobertura metálica do estádio, tombou provocando a queda da peça sobre parte da área de circulação do prédio leste – atingindo parcialmente a fachada em LED. A estrutura da arquibancada não foi comprometida. Era a 38ª vez que esse tipo de procedimento realizava-se na obra e uma peça de igual proporção foi instalada há pouco mais de uma semana no setor Sul do estádio. Equipes do corpo de bombeiros estão no local. No momento, todos os esforços estão concentrados para oferecer assistência total às famílias das vítimas.

E para demonstrar que a terceirização, com a utilização da estratégia de se eximir de responsabilidade, não é privilegio da iniciativa privada, quando houve a morte de José Antônio do Nascimento na obra do Centro de Convenções do Amazonas, desenvolvida pelo Centro de Gestão Metropolitana do Município de Manaus ao lado da Arena da Amazônia, a entidade em questão expediu a seguinte nota:

O funcionário da Conserge, empresa que presta serviço para a Unidade de Gestão Metropolitana, José Antônio da Silva Nascimento, de 49 anos, morreu de infarto por volta das 9h da manhã deste sábado (14 de dezembro), quando trabalhava nos serviços de limpeza e terraplanagem para o asfaltamento do Centro de Convenções da Amazônia, localizado na Avenida Pedro Teixeira. José Antônio se sentiu mal quando subiu em uma caçamba. Uma ambulância do Samu foi acionada imediatamente para realizar o atendimento, mas o trabalhador não resistiu. A Conserge está dando toda a assistência necessária à família da vítima. Segundo a família de José Antônio, este trabalhava sob pressão devido ao atraso na obra. “Ele trabalhava de domingo a domingo”, afirmou sua cunhada, Priscila Soares.

Por ocasião da morte de Antônio José Pitta Martins, técnico especializado em operações de guindastes de grande porte, que veio de Portugal para trabalhar na obra da Arena da Amazônia, tendo sido atingido na cabeça por uma peça de ferro que se soltou de um guindaste, novamente a fala se repete. Em nota oficial, a empresa responsável técnica pela obra, Andrade Gutierrez, destaca que o trabalhador não era seu empregado, ao mesmo tempo em que deixa claro que “o acidente não interferiu no seguimento das obras”

Eis o teor da nota:



NOTA DE ESCLARECIMENTO



A Construtora Andrade Gutierrez informa que, por volta das 8h da manhã de hoje, 07/02/2014, um técnico de guindaste de grande porte, funcionário da empresa Martifer, sofreu um acidente nas dependências do sambódromo enquanto desmontava a máquina utilizada nas obras da Arena da Amazônia. O guindaste, que auxiliava os trabalhos da Arena, já estava com as operações encerradas desde 11/01/2014 e desmobilizado em uma área externa. O operador foi socorrido pela equipe de Segurança do Trabalho e levado pelo SAMU até o hospital 28 de Agosto, onde teve seu quadro de saúde estabilizado e foi transferido para o hospital João Lúcio. O acidente não interferiu no seguimento das obras da Arena da Amazônia. – grifou-se.

A empresa Martifer Construções Metalomecânica S/A, por sua vez, emitiu nota de pesar, noticiando que iria “apurar as causas do acidente”.

A última morte foi a de Fabio Hamilton da Cruz, que se deu em acidente ocorrido no Itaquerão, após uma queda de oito metros de altura. Fabio, conforme foi várias vezes frisado pelos envolvidos, com difusão na imprensa, era empregado da WDS, uma subcontratada da Fast Engenharia, que fora contratada pela AmBev, que aceitou bancar os 38 milhões de reais para colocação de arquibancadas provisórias, exigidas pela FIFA para que o estádio tivesse a capacidade de público necessária para receber a abertura da Copa do Mundo.



10. A culpabilização das vítimas



A respeito do acidente de Fábio Hamilton da Cruz, o Delegado designado para verificação do ocorrido, após ouvir alguns relatos, um dia depois do ocorrido, sem a realização de qualquer laudo técnico, já concluiu que teria havido um “excesso de confiança” da vítima.

Essa foi, ademais, outra forma de agressão aos direitos dos trabalhadores que a pressa para a realização da Copa acabou reforçando, a da culpabilização da vítima nos acidentes do trabalho.

Ora, como o próprio nome diz, o acidente do trabalho é um sinistro que se dá em função da realização de trabalho em benefício alheio, ao qual, independente da postura da vítima, fica obrigado a reparar o dano, já que o risco da atividade econômica lhe pertence (art. 2º. da CLT) e, consequentemente, é de sua responsabilidade o cuidado com o meio ambiente de trabalho.

É extremamente agressivo à inteligência humana, servindo, inclusive para fazer prolongar no tempo o sofrimento da vítima ou de seus familiares, o argumento, daquele que explora com proveito econômico o trabalho alheio, de que “vai apurar” o ocorrido, deixando transparecer no ar uma acusação, que nem sempre é velada, de que a culpa pelo acidente foi do trabalhador.

Veja-se, por exemplo, o que se passou no caso do Raimundo Nonato Lima Costa, que morreu após uma queda de 35 metros na Arena da Amazônia. Em nota de pesar pela sua morte, a responsável técnica pela obra não teve o menor receio, inclusive, de fazer uma acusação generalizada aos trabalhadores, apontando-os como responsáveis por sua própria segurança. Diz a nota.



NOTA DE PESAR



A Andrade Gutierrez lamenta a morte do operário Raimundo Nonato Lima Costa, ocorrida na noite desta quinta-feira, durante o turno noturno da obra da Arena da Amazônia. A empresa providenciou apoio imediato à família do funcionário e aguarda o resultado dos trabalhos da perícia técnica que foi iniciada pela Polícia Civil com o objetivo de apurar as causas do ocorrido.

A Andrade Gutierrez reitera o compromisso assumido com a segurança de todos os seus funcionários e informa que intensificará o trabalho de conscientização dos operários com foco na prevenção de acidentes.

Por ocasião da morte de Marcleudo de Melo Ferreira, na mesma Arena, já mencionada acima, o secretário da Copa em Manaus, Miguel Capobiango, foi além na agressão aos trabalhadores e desferiu o ataque de que as duas quedas fatais até então havidas na Arena tinham sido fruto do “relaxo” dos operários na utilização dos equipamentos de segurança. “Usar o equipamento de segurança às vezes é chato e nem todos gostam de estar usando. O operário às vezes abre mão por preguiça, então ele relaxa, e é isso que agora nós não podemos deixar”. “Infelizmente, os dois acidentes aconteceram por uma questão básica de não cuidado do trabalhador no uso correto do equipamento.”

E, sobre a morte de Fabio Hamilton da Cruz no estádio no Itaquerão, disse Andrés Sanches: “Na vida, cometemos erros e excessos. Já dirigi carro a 150 km/h. Eu não bebo. Vocês já devem ter dirigido “mamados”. Infelizmente, cometemos erros que acabam em fatalidade. Realmente, é padrão na construção civil.”



11. O retrocesso social e humano da Copa



Bem se vê que o legado maléfico para os trabalhadores brasileiros com a Copa não está apenas nas más condições de trabalho e nos conseqüentes oito acidentes fatais (não se contando aqui os vários outros acidentes do trabalho que não resultaram em óbito), o que, por si, já constitui um grande prejuízo, ainda mais se lembrarmos que as obras para a Copa da África em 2010 deixaram 02 mortes por acidente do trabalho, está também na tentativa explícita de culpar as vítimas, buscando atingir a uma impunidade que reforça a lógica de uma exploração do trabalho alheio pautada pela desconsideração da dignidade humana.

A Copa já trouxe grandes prejuízos à classe trabalhadora e é preciso impedir que se consagrem e se prolonguem, mansa e silenciosamente, para o período pós-Copa. Não tendo sido possível obstar que o Estado de exceção se instaurasse na Copa é essencial, ao menos, não permitir que ele continue produzindo efeitos.

O passo fundamental é o de recuperar a consciência, pois a porta aberta às concessões morais e éticas para atender aos interesses econômicos na realização da Copa tem deixado passar a própria dignidade, o que resta demonstrado nas manifestações que tentam justificar o injustificável apenas para não permitir qualquer abalo na “organização” do evento. Foi assim, por exemplo, que o maior atleta do século XX e melhor jogador de futebol de todos os tempos, o eterno Pelé, chegou a sugerir, mesmo que não tenha tido uma intenção malévola, que mortes em obras são fatos que acontecem, “são coisas da vida” e que se preocupava mesmo era com o atraso nas obras dos aeroportos; que o competente e carismático técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, ainda que sem querer ofender, afirmou que a solução para o problema do racismo no futebol é ignorar os “babacas” que cometem tais ofensas, pois puni-los não resolve nada; e que o Ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, cogitou pedir para que os cidadãos brasileiros economizassem energia a fim de que não faltasse luz na Copa.

A postura subserviente, para satisfazer os interesses da FIFA, chegou ao ponto extremo de algumas cidades, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Cuiabá, Natal e Fortaleza, terem atendido pedido feito, com a maior cara de pau do mundo, pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, para que as cidades sedes de jogos da Copa concedessem transporte gratuito – algo que o Movimento Passe Livre está lutando, e sofrendo, para conseguir há anos –, sendo que a concessão, diversamente do que tem buscado o MPL, não se destina às pessoas necessitadas, mas aos torcedores dos jogos da Copa, que possuem condições financeiras para pagar os altos preços dos ingressos, que chegaram a ser vendidos, no paralelo, por até R$91 mil…

É de suma importância deixar claro, para a nossa compreensão e para a nossa imagem no mundo, que temos a percepção de todos esses problemas, que não o aprovamos e que estamos dispostos a enfrentá-los e superá-los.

O autêntico efeito positivo da Copa – realizada, ou não – será a constatação de que a classe trabalhadora se encontra em um estágio de consciência que lhe permite compreender que a Copa reforça e intensifica a lógica da exploração do trabalho como fonte reprodutora do capital, favorecendo ao processo de acumulação da riqueza, ao mesmo tempo em que permite a institucionalização de uma evasão oficial de divisas. A partir dessa compreensão, a classe trabalhadora não se deixará levar pela retórica de que o dinheiro dos turistas vai estimular o crescimento e gerar empregos, até porque ao se inserir na mesma lógica capitalista o dinheiro não é revertido à classe trabalhadora, à qual apenas é remunerada, sem o necessário equivalente, pelo trabalho prestado, direcionando-se, pois, a maior parcela do dinheiro em circulação em função da Copa às multinacionais aqui instaladas, especialmente no setor hoteleiro e nas companhias aéreas.

Cada trabalhador, pensando em sua atividade e em seu cotidiano de ganho e de trabalho durante a Copa, ou antes, que responda: teve ou terá algum ganho na Copa que não provenha do trabalho? Este trabalho é prestado em que condições? O eventual acréscimo de ganho está ligado ao aumento da quantidade de trabalho prestado? Que o digam, sobretudo, os jornalistas!!!

Claro que uma ou outra experiência comercial exitosa, desvinculada da dos protegidos da FIFA, pode ocorrer, mas isso por exceção.

E, cumpre repetir: mesmo que no geral a Copa produza resultados econômicos satisfatórios, não se terão, com isso, justificadas as supressões da ordem jurídica constitucional, já havidas no período de preparação para o evento, e as violências sofridas por diversas pessoas, e, em especial, a classe trabalhadora, no que tange aos seus direitos sociais e humanos.

Este é o ponto fundamental: o de não permitir que a Copa e a violência institucional posta a seu serviço furtem a nossa consciência, que está sendo duramente construída, vale lembrar, após 21 anos de ditadura, seguida de 15 anos de propaganda neoliberal. A produção dessa consciência é extremamente relevante para que o drama das diversas pessoas, vitimadas pela Copa, não se arraste por muito mais tempo, sofrimento que, ademais, só aumenta quando, buscando não abalar eventual euforia da Copa, se tenta desconsiderar a sua dor, ou quando, partindo de uma perversão da realidade, argumenta-se que as pessoas que são contra a Copa (mesmo se apoiadas nos motivos acima mencionados) fazem parte de uma conspiração para “contaminar” a Copa, apontadas como adeptas da “violência”, sendo que para a ação dessas pessoas (que, de fato, carregam um dado de consciência), o que se reserva é o contra-argumento da “segurança pesada”.

O desafio está lançado. O que vai acontecer nos jogos da Copa, se a “seleção canarinho” vai se sagrar hexa campeã, ou não, não é decisivo para a história brasileira. Já o tipo de racionalidade e de reação que produzirmos diante dos fatos sociais e jurídicos extremamente graves relacionados ao evento vai, certamente, determinar qual o tipo de sociedade teremos na sequência. Boa ou ruim, a Copa acaba e a vida concreta continua e será boa ou ruim na medida da nossa capacidade de compreendê-la e de interagir com ela, pois como já disse Drummond:



Foi-se a Copa? Não faz mal. Adeus chutes e sistemas. A gente pode, afinal, cuidar de nossos problemas. Faltou inflação de pontos? Perdura a inflação de fato. Deixaremos de ser tontos se chutarmos no alvo exato. O povo, noutro torneio, havendo tenacidade, ganhará, rijo, e de cheio, A Copa da Liberdade.



São Paulo, 21 de abril de 2014.



*Jorge Luiz Souto Maior é professor livre docente de direito do trabalho brasileiro na USP, Brasil desde 2001. É juiz titular na 3ª Vara do Trabalho de Jundiaí desde 1998, palestrante e conferencista.





PAZ & BEM !!!




quarta-feira, dezembro 11, 2013

TUMBA DE RAMSES







Confesso,divergências ideológicas à parte,tenho vergonha da presidente DILMA ROUSSEFF.
Será possível que ela tenha que se vestir sempre como uma dirigente do PC Chinês?
No sorteio da Copa do Mundo era visível, até ,o desconforto dela.
Será que a sua conhecida turra é tão grande que a impede de receber conselhos pra se vestir melhor?
Lamentável !!!
TUMBA com ela !!!





CETRO DE RAMSES










Ele se foi,mas as manifestações em seu país e mundo afora,demonstram a força e a grandeza de seu legado.
Que não fiquem só nas palavras
CETRO para NELSON MANDELA !!!


PAZ & BEM !!!




domingo, junho 30, 2013

O DIA EM QUE O FIGUEIREDO DISSE NÃO À COPA DO MUNDO







O dia em que João Figueiredo mandou Havelange enfiar a Copa onde ele quisesse!
Texto do jornalista Rodrigo Araújo"



O Havelange ofereceu a Copa do Mundo no Brasil e o “delicado” presidente lhe respondeu: “Vc conhece uma favela do Rio de Janeiro? Vc já viu a seca do nordeste? E vc acha que eu vou gastar dinheiro com estádio de futebol?”.


Esse governo atual esdrúxulo e despreparado está gastando oceanos e não rios de dinheiro para construir estádios inúteis e nada de infra estrutura. Educação pra quê? Nem eles têm, como podem oferecer ao povo? E, o mais nojento é o tanto que os petistas e comunistas do PC do B estão ricos. Os generais estão mortos e deixando heranças compatíveis com seus soldos.


Pra mim, a Copa será a 1ª grande desgraça do Brasil no século 21. Vamos levar uns 20 anos pra recuperar do prejuízo causado nos dois últimos anos, com essas obras mirabolantes. A farra dos governantes, dirigentes e empreiteiros. Uma lástima.


Se gastam bilhões para um eventozinho da FIFA, que ganhou antipatia geral, e dura um mês, imagine quanto deveriam gastar em infra estrutura, educação, saúde e segurança para o povo que vai passar a vida toda aqui?


PAZ & BEM !!!




quinta-feira, junho 06, 2013

CARTA À PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF







POR COSME RÍMOLI


Excelentíssima presidente Dilma Rousseff...


Esta é a primeira vez que escrevo para uma presidente.


O motivo é nobre. Quero avisá-la que a senhora irá entrar para a história com a Copa do Mundo. Mas não da maneira que imagina. Por mais que sua participação efetiva seja dar bicudas na bola...Fazer discursos eleitorais para políticos aliados que não vão poupar palmas... Derrubar Ricardo Teixeira...E delegar todo o controle do Mundial mais caro da história a Aldo Rebelo. A senhora herdou esta Copa do seu mentor, o ex-presidente Lula. Esperto, ele vislumbrava o maior amor do Brasileiro. E, principalmente, a ano que o Mundial será disputado. Não é uma beleza ele acontecer justo quando haverá eleição presidencial? Melhor impossível.


O Brasil assegurou a Copa aqui em 30 de outubro de 2007


Há quase seis anos. O anúncio oficial arrancou lágrimas de felicidade de Lula. E de várias construtoras e empreiteiras. A Fifa propôs e o governo de integração aceitou de imediato. Pela primeira vez desde 1930 haverá 12 sedes em um Mundial. O 'normal' eram oito. Mas aqui não. Houve uma reunião governamental em 2010. Sim, três anos depois do anúncio do Mundial nesta terra. Com pomposo nome, presidente: Matriz de Responsabilidades. Ficou acertado que os estádios custariam no máximo R$ 5,4 bilhões. Pois três anos depois, as obras já passaram de R$ 7,1 bilhões. E vão aumentar, para que todas sejam entregues no prazo. Cara Dilma, me permita a intimidade... Sabia que quatro destes oito estádios são elefantes brancos? O de Manaus, Cuiabá, Natal e a que a senhora acaba de inaugurar? Onde ironizou os como eu, pessimistas de plantão? Isso, o da cidade onde mora, presidente. Onde ouviu o assanhado Aldo Rebelo chamar de Coliseu da nova Roma?


Será que ele está prevendo como ficará daqui a alguns anos a arena?


Aos poucos a senhora entenderá o motivo pelo qual entrará na história. O estádio Mané Garrincha que acabou de inaugurar. Sem saber, teve a primazia de batizar o primeiro elefante branco do País. A arena custou um bilhão de reais. Tem capacidade para 75 mil pessoas, que beleza. Sabe qual é a média de público do Campeonato Brasiliense? 844 pessoas. Com um detalhe muito interessante. Ingressos a R$ 1,00. Vamos falar de Cuiabá. A nova arena custou até agora R$ 519 milhões. 43.600 pessoas poderão assistir grandes confrontos por lá. Isso se decidirem sair de casa. A média do Campeonato Mato-Grossense é de 612 pessoas. Mesmo com o incentivo governamental. Um quilo de comida vale um ingresso. A arena das Dunas em Natal ficou linda, nos trinques. Cabem 45 mil pessoas. A senhora quer a média de público no Campeonato Potiguar? Como ou sem emoção, como perguntam os bugueiros de lá? O emocionante primeiro turno mostrou 1.041 pagantes. Porém a mais confortável será a de Manaus. Ela custou baratinho: R$ 529 milhões.


Caberão 44.310 pagantes.


No poderoso Campeonato Amazonense será uma festa. Será possível acampar, jogar futebol nas arquibancadas. A média do torneio é de 588 pagantes. Sim, presidente. Elefantes brancos anunciados antes mesmo de começarem as obras. Mas para que parar? Há de se ter uma solução. Talvez a criação do bolsa ingresso. José Maria Marin tem uma solução. Lembrando o tempo da Ditadura Militar que o fez governador. E discursar contra o Vlado, se recorda? Lógico que sim... Pois bem, ele quer que os grandes clubes brasileiros ajudem na marra. Sejam obrigados a levar partidas como mandantes para estes estádios. Sem poder de barganha. Quer tornar isso uma prática normal no Campeonato Brasileiro. Por enquanto não anunciou oficialmente. Mas já está articulando. Haverá enormes conflitos e provável rebelião. A senhora sabe, presidente, o efeito colateral destas arenas? O preço dos ingressos subiu em média 300% no país. A se fosse o nosso PIB, hein presidente? Mas não é.


As arenas estão elitizando o público. Na Copa então, será uma doideira. Futebol só na televisão ou nos telões de lanchonete. A Fifa já começou a vencer os ingressos para o Mundial. Vou mostrar para a senhora os preços dos caros. Os baratos só depois da Copa das Confederações. É para assustar, presidente. Tem direito a buffet, os melhores lugares. Os jogos são da primeira fase, da Seleção Brasileira. No Itaquerão custam US$ 2.552, nada menos do que R$ 5.145. Em Fortaleza e Brasília será uma pechincha. US$ 1.595, R$ 3.190, em cada jogo. Se a seleção do Felipão se classificar para a final, vou ficar muito feliz. E surpreso. Tanto assim que convido a senhora, eu pago. Faço questão. Desembolso US$ 4.543 ou R$ 9.086,00 para cada ingresso. Não é por nada, não. Mas considero esses preços um ultraje para a população brasileira. E a senhora, não? Será que tem ideia, alguém lhe contou quanto custa ver um jogo na Copa? Queria perguntar outra coisa. Por que muitas obras de mobilidade social ficaram no papel?


A senhora por acaso sabe o caos que a torcida sofre para chegar ao Mineirão? Os tumultos no trânsito por onde há uma nova arena. Como a Fonte Nova e sua deprimente venda de ingressos. Com a polícia dando tiros de borracha e soltando bombas nos torcedores? Aquele estádio que a senhora inaugurou com o Carlinhos Brown.


Onde chacoalhou a caxirola com a espevitada Marta Suplicy? Que custou a bobagem de R$ 2,2 bilhões. Sim, a obra saiu por R$ 591,7 milhões. Mas o consórcio que administrará o estádio foi ousado. Pediu como contrapartida R$ 103 milhões por 15 anos. Somados os valores se chega ao estádio mais caro da Copa. Em 2011, o Tribunal de Contas da União (TCU) criticou o modelo de negócio. Definiu a contrapartida como longa e cara. Sim, presidente, R$ 2,2 bilhões, ninguém falou para a senhora? Segure seu queixo. Até a caxirola fará a alegria dos gringos. A empresa norte-americana que faz as embalagens do McDonald's tem a exclusividade sobre ela. E pretende faturar R$ 3 bilhões até a Copa.


Não é mais um motivo de orgulho?


Quanto aos turistas, pode ficar aliviada. Eles não serão nem sombra do que se esperava. A Copa das Confederações já mostra isso, cara Dilma. A Fifa garante que venceu mais de 588 mil ingressos. A senhora sabe a porcentagem de estrangeiros que os comprou? Menos de 3%. Ainda bem que seu governo não remodelou os aeroportos. Para quê? Seu governo pode seguir o ritmo paquidérmico. Até os hooligans estão assustados. E não querem vir para cá. Têm medo das nossas torcidas organizadas. Só invejam a nossa legislação frouxa. Que trata com carinho os torcedores brigões, assassinos. A violência urbana que domina o País está espantando os turistas. Bobagem, não é?


Assustadinhos, qual o problema de se sentir em uma guerrilha urbana? Estupros em ônibus acontecem em todos os países civilizados. Dentistas queimadas por bandidos também. Pessoas mortas em roubo de celular acontece no mundo todo. Assim como assassinatos de policiais monitorados pela cadeia. A farra dos menores delinquentes é até interessante, tadinhos. Muitos estão gostando tanto da história que falsificam suas identidades. Querem ficar mais jovens por dois ou três anos. Assim não podem ser julgados como maiores.


Não são bonitinhos? Cada um que fosse para a Fundação Casa deveria ganhar um fuleco.


O Ronaldo não vai poder dar. Mesmo membro do COL ele foi morar em Londres. Essa história de arrastões em restaurantes pode ser divertida. O turista que vier para cá na Copa vai ter o que falar quando voltar. Se não reagir, lógico. A procura de ingressos e hospedagem para o Mundial está muito abaixo do esperado. Tão menor que os números não estão sendo divulgados. Mas não importa, a Copa é nossa. E daí que a legislação brasileira foi desrespeitada pela Fifa. O que interessa são as budweisers nas mãos dos torcedores. Cerveja para eles. O importante é todos estarem felizes em junho de 2014. Quanto à mobilidade social, a saída foi brilhante. Aplaudo em pé. Para evitar trânsito, feriado nas cidades onde há jogos. Que importa a produção, o trabalho?


Vale é o futebol. A Copa do Mundo é nossa. Me empolguei... Perco a educação e faço o que a senhora não pode fazer. Dou uma banana para mim mesmo, seu pessimista. Mas só faço uma ressalva, cara Dilma. Nunca duvidei que os estádios ficariam prontos. Ficaram como esperava, superfaturados. Com bilhões do dinheiro público envolvido. Não havia acreditado no Ricardo Teixeira. Ele disse que todo o custo seria privado... Bela piada, sem o menor fundamento. É a população do seu país que está pagando a Copa. Mais caro que jamais qualquer outra nação. O mundial vai passar.


Chegarão às eleições presidenciais. E o clima de festa pode até valer a reeleição. A senhora é superfavorita.


Cuidado só com seu mentor, que está com saudade do cargo. Mas um dia, quanto tiver tempo, procure se informar. Falar a sério sobre legado. O que esta Copa caríssima deixará de bom para o Brasil. O que o País fará com suas novas arenas? As danadas têm um custo mensal de manutenção que chegam a R$ 500 mil. Nada menos do que R$ 6 milhões por ano. Quem é vai pagar, por exemplo, a de Brasília, Cuiabá, Manaus e Natal depois da Copa? O custo total do Mundial até agora é de R$ 33 bilhões. É uma beleza, já que a previsão era de R$ 80 bilhões. A senhora economizou muito com a suspensão de várias obras de mobilidade social. Desistindo de promover reformas de verdade nos aeroportos brasileiros.


Só para lembrar Cerca de 85% desses 33 bilhões são dinheiro público. Os danados da iniciativa privada só entraram com 15%. Os governos federal, estadual e municipal que estão pagando. Com o dinheiro arrecadado da população, não é? Sim, presidente. É o povo brasileiro que vai pagar. A Fifa já anunciou que terá um lucro de R$ 10 bilhões. Que inveja, não é? A gente está organizando e promovendo a festa. Tirando o dinheiro de áreas como Saúde, Educação, Segurança. E os gringos ainda saem com o dinheiro. Cara Dilma, eu não tenho a menor dúvida. A senhora ficará para sempre na história do Brasil. A Copa do Mundo de 2014 será uma marca registrada sua. Mais cara que a do Japão, da Alemanha e da África juntas. Que beleza! Pode comemorar dando mais bicudas na inauguração de novas arenas. E discursar para políticos que aplaudem até sua tosse. O tempo vai passar. E o legado do Mundial mais caro da história será seu.


Quem pagará agora e depois será a população. Mas ela terá sua compensação. Ganhará caxirolas, a bola Cafusa e 12 bilionárias arenas. Assim como os índios na chegada dos portugueses em 1500. Eles trocavam ouro e pedras preciosas por espelhinhos. E se divertiam muito olhando o seu reflexo. O sentimento do brasileiro será o mesmo dos antepassados indígenas. Um abraço cordial, Dilma...


Deste assumido pessimista de plantão. Que nunca duvidou da capacidade dos políticos brasileiros. Vocês são capazes de tudo. Ou não é o Marin que está ao seu lado na fotografia?





Fonte: R7 Cosme Rímoli ganhou o prêmio Aceesp por seis vezes, como melhor repórter esportivo entre jornais e revistas de São Paulo. Trabalhou 22 anos no Jornal da Tarde. Começou com o blog no UOL, em 2009. Em sete meses, teve mais de 11 milhões de acessos. Cobriu as últimas Cinco Copas do Mundo, seis Eliminatórias para a Copa, quatro Copas América, dezenas de finais de Libertadores, Brasileiros e Campeonatos Paulistas. Um Mundial de Clubes no Japão. O Pan-Americano do México e três etapas do UFC. Com as Olimpíadas de Londres 2012, completou a marca de 29 países participando de coberturas esportivas.


PAZ & BEM !!!




sábado, abril 20, 2013

quarta-feira, abril 17, 2013

TUMBA DE RAMSES







Definitivamente ,o presidente da CBF,JOSE MARIA MARIN , está na linha de tiro às vésperas da Copa das Confederações.
O negócio milionário que se transformou o futebol,acaba gerando muita polêmica e gerando dúvidas no caráter de qualquer dirigente que milite no esporte.Ainda mais numa entidade rica como a nossa.
Infelizmente,como era previsto,nosso país domina as manchetes internacionais,não pelo bom futebol que jogamos ( jogamos ? ) ,mas pelos sucessivos escândalos,corrupções e negociatas que envolvem toda a preparação para a caríssima e inútil Copa do Mundo que aqui acontecerá no ano que vem.
Preparemo-nos,pois vem mais,muito mais por aí.
TUMBA com ele !!!!


PAZ & BEM !!!




quarta-feira, março 27, 2013

BEM QUE EU FALEI...







Não é o tipo de acontecimento que qualquer um deva se orgulhar,mas eu já cantei a bola em 2007,quando da escolha do Brasil pra sediar a Copa de 2014.

Aqui voce fica sabendo que projeto do nefasto e picareta senador ROMERO JUCÁ ( PMDB/RR )permite que os estados atrasem as obras para depois da Copa !!!
Se as obras só aconteceram por causa da Copa,difícil entender que serão concluídas depois...


E aqui ,nada a ver com a Copa,mas mostra que o Governo irá perdoar 90% da impagável dívida dos clubes de futebol .
Fica a pergunta: e os clubes amadores? E as empresas ?


Sinceramente,a cada dia que passa ,tenho mais e mais nojo,mais vergonha dos absurdos que acontecem neste país. O mais impressionante é que o povo nada faz,tudo aceita e é quem paga a conta.
E é quem nada recebe em troca. Afinal,saúde,educação,segurança...,pra falar o básico,estão um lixo!!!





PAZ & BEM !!!




quinta-feira, janeiro 31, 2013

TUMBA DE RAMSES







O tempo vai passando e estão cada vez mais e mais frequentes os escândalos envolvendo o futebol mundial,atingindo diretamente a FIFA .
As últimas denúncias da revista FRANCE FOOTBALL são bastante pesadas e muito bem embasadas,envolvendo o presidente da entidade,o suiço JOSEPH BLATTER.
Se é verdade que a corrupção já é antiga na entidade,envolvendo dirigentes do ex-presidente,também parece crível que o atual mandatário continuou e aperfeiçoou o esquema internacional.
Por estas e outras ( muitas outras ),é que ando crendo,e muito,em esquemas extra-campo mundo afora. E quando os interesses escusos se sobrepõe ao resultado dentro de campo,o esporte fatalmente encontrará a verdade lá na frente.
Cedo ou tarde!!
TUMBA com ele !!!


Mais aqui .


PAZ & BEM !!!




segunda-feira, janeiro 28, 2013

JÁ ERA ESPERADO







Um dos motivos,talvez o principal,que sempre fui contra a realização da Copa do Mundo no nosso país,é o desvio de dinheiro e a corrupção desenfreada que fatalmente aconteceria com tanto dinheiro ( público e privado ) envolvido.
Em 2007 quando fomos escolhidos o país sede da Copa,eu afirmei que ,certamente,as obras iriam atrasar ( propositalmente ) para que,com a desculpa de não passarmos vergonha mundial,seriam feitas sem licitação e,assim,a bandalheira imperasse.
O tempo passou,a Copa será no ano que vem,e..está tudo atrasado!!!
Leiam AQUI .


E pior,como diz a reportagem : TUDO CUSTARÁ BEM MAIS DO QUE O ORÇADO !!!



BEM MAIS!!!


Apenas por curiosidade,a ARENA PALESTRA que está sendo construída SEM DINHEIRO PÚBLICO,deverá ficar pronta NO PRAZO ( em 2013 ) , e tem seu orçamento cumprido à risca!!


Sabem qual a diferença?


Como não fará parte da Copa, não tem político levando o "por fora" !!


Pobre país!!


PAZ & BEM !!!




segunda-feira, março 19, 2012

CETRO DE RAMSES



Ele tem sido uma grande surpresa. Uma grata surpresa. O deputado federal ROMÁRIO tem alertado a algum tempo sobre todos os problemas que se referem à Copa do Mundo de 2014.
Semana passada em seu twitter,o ex-jogador foi muito claro ao afirmar que as obras da Copa serão o maior roubo da história do país.
Aliás,algo que eu já venho alertando desde 2007,quando fomos escolhidos o país-sede.
CETRO pra ele !!!


PAZ & BEM !!!